A filosofia por trás dos resorts e dos cruzeiros nunca pareceu muito atraente para mim. Gosto de viajar para descobrir coisas novas, bater perna, explorar o destino. Por definição, cruzeiros e resorts são feitos para quem quer descansar paradinho no lugar. O problema é que quanto mais parada, mais minha mente fervilha, então o que era para ser descanso vira reflexão sobre as coisas das quais eu deveria me desligar nas férias.
O fato é que o meu marido recebeu um convite para uma convenção de trabalho na Costa do Sauípe. Tudo pago. Com direito a hospedar a esposa no quarto. Crianças até 3 anos de graça (= Sara free). E não era folga da babá (para poder ficar com meu outro bebê). Podia recusar? Claro que não. Além do mais, era a Bahia. Sorria, você está na Bahia é mais que um slogan de Secretaria de Turismo. É um mantra. Compramos minha passagem e a da Sara e embarcamos nessa sem pensar duas vezes.
Pegamos o voo que saiu de Fortaleza 13h59 min. e chegamos em Salvador por volta de 15h50min. Rapidamente embarcamos num ônibus com outros passageiros do mesmo voo e mais algumas pessoas que já estavam no aeroporto nos esperando e por volta das 17h30 já estávamos no hotel. A recepção é atenciosa, nos deram umas pulseirinhas pretas – as dos hóspedes comuns eram laranja, mas não consegui perceber nenhuma diferença no tratamento. Havia uma jantar de abertura para os participantes da convenção num local específico, mas como a Sara é pequena, estava comentando com o meu marido que ela estava ficando enjoada e logo iria dormir – sem jantar. Um funcionário do hotel ouviu e me ofereceu o restaurante do hotel. Achei essa atitude de uma sensibilidade ímpar. Agradeci e a moça que ficava na porta ainda disse “não há de que, senhora, venha todas as noites!” Mais delicadeza gratuita. Haviam dito que precisávamos pedir a terceira cama para o quarto, mas quando chegamos, ela já estava lá. Não sei se tinha em todos os quartos, mas o fato é que se a organização do congresso havia passado a informação da terceira hóspede, o hotel providenciou antes de nossa chegada. Também achei isso legal.
O café da manhã era bastante farto e não primava só pela quantidade. Não tinha nada muito sofisticado, mas a comida era deliciosa e tinha (quase) tudo o que você imagina encontrar num café da manhã de um bom hotel. Inclusive a tapioca feita na hora com recheio a sua escolha. Deliciosa.
Não vi bufês sendo montados a toda hora, só mesmo nas três refeições, mas o bar da piscina soltava petiscos durante a manhã e a tarde toda. Nem cheguei a experimentar.
Sara e eu fomos para a piscina, depois andamos até a Vila Nova da Praia, uma espécie de cruzamento entre Arraial d’Ajuda e Las Vegas, um Projac de vilinha de praia nordestina. Por favor, não me entendam mal: é lindinha, mas meio fake. Mesmo assim, muito agradável. Fui até lá no intuito de alugar bicicletas para explorar o complexo, mas a única que poderia levar a Sara era, na verdade, um triciclo que precisava de duas pessoas pedalando. Nesse momento, ela viu a charrete e se apaixonou, mas os passeios só aconteciam com o sol frio, após as 16h. Então, pegamos o ônibus e fomos até a fazendinha, por indicação de vários funcionários que nos disseram para não perder a ordenha às 10h. Ótima dica para uma criança de 3 anos, que saiu de lá felicíssima por ter tirado o leite da vaca pessoalmente, o qual, depois de acondicionado numa mamadeira, foi entregue a ela para oferecer aos carneirinhos-bebês. Programa ultra-meigo.

Terminado o momento Globo Rural, fomos aguardar o ônibus, que circula a cada 20 minutos em cada um dos principais pontos do Complexo, para retornar para um banho antes do almoço. Os outros locais: golfe, tênis, centro náutico (pedalinho, caiaques, tirolesa e gansos bravos), Vila Nova da Praia e a recepção de cada um dos hotéis e pousadas.
A qualidade da comida me surpreendeu. Não tem nada demais, é que eu acho bastante difícil manter uma certa qualidade duma comida feita para batalhão e essa era saborosa, apesar do volume. A sobremesa era simplesmente deliciosa. Não se via aqueles cremes todos com o mesmo gosto. Que nada, eram trufas de chocolate mentolado, queijadinhas super saborosas, umas tortas de patisserie fina, brownies feitos com chocolate verdadeiro e completando, uma geladeira Nestlé com vários sabores de sorvetes. Tudo isso se repetiu – a qualidade, não as comidas – em todas as refeições. O que me chamou a atenção foi a completa ausência de comidas baianas-da-gema, como um vatapá, uma moqueca ou um acarajé. Nadica de nada.
A sequência foi soneca, compras de lembrancinhas na Vila, passeio de charrete, jantar e um passeio pela “vida noturna” da Vila (que acaba às 23h, à exceção de uma boate que eu nem cheguei a ver). No dia seguinte, aproveitamos a praia – que tem um bar com água de côco, refrigerantes e água, piscinas naturais com uma vida marinha rica - e já era de voltar. Aqui uma observação: essas piscinas naturais só existem na maré baixa. Acredito que na maré cheia se transformam em pedras perigosas para os banhistas.
Eu não cheguei a mudar meu conceito sobre resorts. Aliás, nem é propriamente um conceito, mas uma questão de gosto. Curti a experiência, mas o fim de semana foi mais do que suficiente.
Ficamos hospedados no Sauípe Park, antigo Sofitel Conventions, como seria apropriado nesse caso. O evento tinha mais de 600 participantes, fora os acompanhantes. Fiquei bem impressionada com a logística do evento e do hotel. Foi tudo muito organizado, desde os transfers ágeis, até o check-out realizado com bastante presteza. Não chega a ser um hotel de luxo, mas a estrutura é muito boa. Mesmo com alguns anos na praça, tudo tem aspecto de novo e bem cuidado, grama bem aparada e nada de tinta descascada.
O que me chamou a atenção:
1. o atendimento: não recebi um nãozinho sequer. Os organizadores da convenção do meu marido tinham me dito que o passeio de charrete estava incluso; no local de venda do passeio, ao ouvir que eu não possuía um voucher, a funcionária deu um telefonema e agendou para gente o passeio de 20 minutos, em vez do que leva 1 hora. Se ninguém tivesse me dito que havia o trajeto longo e eu não fosse atenta, nem teria percebido que o passeio NÃO estava incluso.
2. A estrutura é bem cuidada. Conseguiram integrar os hotéis à paisagem de mangue de um jeito magnífico. Por conta disso, tem micos, pássaros diferentes e iguanas que cruzam por você na maior, enriquecendo o cenário do hotel.
3. A comida foi bem melhor do que eu esperava. Não era a rodo, o tempo todo, mas essa circunstância, para quem precisa perder os derradeiros quilinhos da última gravidez é ultra-positiva
O próximo dia já não iria conseguir me manter no hotel, pois dei por visto o complexo. Realmente, minha desconfiança era real: é meio enjoativo ficar ali dentro. Um resort é o local perfeito para viajar com crianças pequenas, mas eu acho que escolheria um outro da próxima vez. Só para variar a paisagem.